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sábado, junho 22, 2013

Por que você odeia os ateus?

Este é um momento político propício para depurarmos de vez os preconceitos e irracionalidades do nosso cotidiano.
O direto à liberdade de consciência não se aplica somente a "pensar" no que quer que seja, mas também a acreditar e também NÃO acreditar em algo ou ideia como se a mesma fosse verdade absoluta.
A laicidade do Estado, portanto, não é um fardo político a se aturar e negligenciar (como se tem feito ultimamente), mas uma conquista política histórica que, ao separar a República das religiões, fundou um eixo de projeto societário que rege a "coisa pública" pelo primado da razão científica e materialmente possível, deixando o inegável direito de crenças ao plano particular e universalizando a produção e reprodução das riquezas humanas como possibilidades e necessidades iminentemente públicas.
Assista ao vídeo da ATEA e reflita no que seja o exercício pleno da liberdade.




quinta-feira, setembro 22, 2011

O Deus do outro existe?


Clicando aqui você conhecerá, de forma simples e objetiva em um texto de um Juiz Federal, o que significa utilizar a nossa liberdade de consciência para ESCOLHER por não ter crenças divinas.


Pela laicidade como parâmetro de respeito!

quinta-feira, agosto 18, 2011

Conhece o Estado Laico?

Você e eu estamos num Estado Laico. Será?
 
Clique aqui e saiba mais sobre a fundamental importância da laicidade do Estado brasileiro e participe da Marcha pelo Estado Laico em 21/08.

segunda-feira, agosto 08, 2011

Seguindo demônios?

Já pararam para pensar que, para ter medo de demônios, você precisar acreditar que existam? Ou seja, para se "proteger" de algo que seja relacionado ao "demônio" você precisa dedicar um pouco de sua fé no próprio demônio?
 
Obviamente que não quero discutir se existem ou não os demônios. Coloco a reflexão para pensarmos sobre o que ocorreu com um garoto de 08 anos, que foi constrangido moralmente por professora e diretora da escola onde estudava, o Colégio Ponto Alfa em São José do Rio Preto, pelo fato de gostar de rock pesado. A matéria foi publicada pelo UOL Notícias.
Analisando o Regimento Interno da escola, fica claro que o objetivo educacional não é religioso. Se fosse, este debate estaria relacionado à escolha da escola pelos pais, do ponto de vista de um víes também religioso. Mas, ao contrário, a escolha dos pais estava "em tese" correta, até o lamentável fato expor o despreparo profissional em relação a adequação da postura ética em relação à laicidade na educação.
 
Lembre-se quando tinha seus 07 ou 08 anos e tente visualizar o que sentiria e pensaria se alguma autoridade responsável por sua formação humana, ficasse mais de 3 horas lhe falando verticalmente que as músicas que você gosta de ouvir lhe remetem ao mal, à agressividade, à morte, à uma vida negativa, etc...
 
Não somente os profissionais,mas principalmente eles, de todas as áreas, incluindo o Serviço Social, não podem perder a perspectiva laica na sua atuação e vida social. Este contexto é complexo, de fato, mas é absolutamente claro no que se refere à relação ética que deve existir entre o que se considera consciência da realidade, à luz de sua possível fé metafísica e a necessidade de garantir a liberdade desta própria fé em extensão a outros valores que DEVEM conviver, em diversidade e liberdade, numa sociedade laica e em suas instituições.

sexta-feira, março 13, 2009

Cordel da Excomunhão

A literatura de cordel, nas palavras do Miguezim, falam por mim:


A EXCOMUNHÃO DA VÍTIMA
Miguezim de Princesa


I
Peço à musa do improvisoQue me dê inspiração,Ciência e sabedoria,Inteligência e razão,Peço que Deus que me protejaPara falar de uma igrejaQue comete aberração.
II
Pelas fogueiras que arderamNo tempo da Inquisição, Pelas mulheres queimadasSem apelo ou compaixão,Pensava que o VaticanoTinha mudado de plano,Abolido a excomunhão.
III
Mas o bispo Dom José,Um homem conservador,Tratou com impiedade A vítima de um estuprador,Massacrada e abusada,Sofrida e violentada,Sem futuro e sem amor.
IV
Depois que houve o estupro, A menina engravidou.Ela só tem nove anos,A Justiça autorizouQue a criança abortasseAntes que a vida brotasseUm fruto do desamor.
V
O aborto, já previstoNa nossa legislação,Teve o apoio declaradoDo ministro Temporão, Que é médico bom e zeloso,E mostrou ser corajosoAo enfrentar a questão.
VI
Além de excomungarO ministro Temporão,Dom José excomungouDa menina, sem razão,A mãe, a vó e a tiaE se brincar puniriaAté a quarta geração.
VII
É esquisito que a igreja,Que tanto prega o perdão,Resolva excomungar médicosQue cumpriram sua missãoE num beco sem saídaLivraram uma pobre vidaDo fel da desilusão.
VIII
Mas o mundo está viradoE cheio de desatinos:Missa virou presepada,Tem dança até do pepino, Padre que usa bermuda,Deixando mulher buchudaE bolindo com os meninos.
IX
Milhões morrendo de Aids:É grande a devastação,Mas a igreja acha bomFurunfar sem proteçãoE o padre prega na missaQue camisinha na lingüiçaÉ uma coisa do Cão.
X
E esta quem me contouFoi Lima do Camarão:Dom José excomungouA equipe de plantão,A família da menina E o ministro Temporão, Mas para o estuprador,Que por certo perdoou,O arcebispo reservou A vaga de sacristão.

sexta-feira, março 06, 2009

Excomungando a Hipocrisia


Clique na imagem para ver o mapa do aborto no mundo

Repudio a atitude do arcebispo católico de Olinda e Recife, dom José Cardoso Sobrinho, de excomungar a família e os profissionais do Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (CISAM) que trabalharam no aborto legal de uma criança de nove anos, a qual engravidou de gêmeos após ser estuprada pelo padrasto, em um histórico de três anos de abuso sexual dela e da irmã de 14 anos. A família da criança é da cidade de Alagoinha - PE.

Não quero discutir o mérito da excomunhão em si, pelo fato desta medida não ser de âmbito
laico. Meu objetivo é problematizar as implicações éticas e de Direitos Humanos, na medida em que a atitude da Igreja Católica constrange publicamente a família, aviltando sua liberdade relativa à proteção da criança, bem como negligencia a absoluta legalidade que abarca o caso conforme legislação em vigor.

Passou da hora de excomungarmos a hipocrisia e reconhecermos que a questão do aborto é de saúde pública e que
não pertencente exclusivamente ao âmbito moral-religioso.


segunda-feira, novembro 24, 2008

ESTADO LAICO E ATUAIS RELAÇÕES POLÍTICAS BRASIL-VATICANO

A Conversão de Constantino, representando
a conversão do
Imperador Constantino o Grande
ao
Cristianismo, por Rubens.



Segue abaixo o recente acordo diplomático entre Brasil (Lula) e Vaticano (Papa Bento 16):

http://www.ccr.org.br/dest_nov2008.asp

Observem o retrocesso que, a meu ver, fragilizam as concepções de Estado Laico e de Republica, tão caros para a consolidação da democracia no Brasil.




Destaco:

  • a reiteração da influência religiosa nas políticas públicas, principalmente na assistência social - Art. 5 e 8;
  • a proteção política da propriedade da Igreja - Art. 7;
  • a reiteração da influência religiosa nas políticas de educação pública e privada - Art. 10;
  • a contradição entre liberdade e escopo de formação religiosa e a abertura de brechas jurídico-institucionais para intenções religiosas - Art. 11;
  • a garantia da exclusividade ética do sigilo religioso - Art. 13;
  • a garantia da exclusividade político-administrativa para a Igreja - Art. 14;
  • a garantia da proteção jurídico-trabalhista para a Igreja - Art. 16;
  • a garantia da exclusividade diplomática para a Igreja- Art. 17;
  • a abertura de brechas para outras regulamentações religiosas - Art. 18;
  • a equiparação da Igreja como organismo diplomático, logo, como Estado - Art. 19 e;
  • a manutenção dos privilégios históricamente garantidos pela República, após a cisão da Igreja com o Estado - Art. 20.




Para complemento da reflexão, abaixo um artigo no mesmo site: http://www.ccr.org.br/a_destaque_jogorapido17-11-08.asp

DIVULGEM!

Ser é Lutar!

quarta-feira, novembro 07, 2007

quarta-feira, agosto 29, 2007

Água e Óleo

Quero me referir ao debate entre fé e razão que acontece todos os dias dentro de nós e que, na maioria das vezes, não percebemos ou quando sim o deixamos num patamar menos importante, até que os momentos de urgência vital reclamem sua relevância.

Estando em conflito ou não, fé e razão determinam nossas atitudes e tentam explicar o que somos no mundo. Independentemente de nossas origens familiares, sociais e culturais, aquilo que elegemos como elemento de fé ou de critério racional podem ser totalmente diferentes entre si, mas que fazem todo sentido para nós.

A fé que me refiro não é apenas a religiosa, mas sim todos aqueles anseios mágicos que criamos a todo o momento e as esperanças sublimes que alimentamos toda vez que não encontramos resposta para uma indagação de nossa essência humana.

É tão humana, também, a razão, que ao ser invocada pelas indagações acima se põe a sedimentar o real e a dar sentido tanto para o que meus dedos agora digitam, quanto para o entendimento claro e potente do que venha a ser o nosso pertencimento no mundo.

Fé é igual a destino. Razão é igual à história.
Fé é igual a sonho. Razão é igual à realidade.
Fé é igual à esperança. Razão é igual a logo.

Os dois são como água e óleo: podem circular juntos dentro das veias de nossa essência vital a todo tempo, mas jamais se misturam para decidi-la.

quinta-feira, abril 21, 2005

Sua Santidade, a Liberdade

A recente morte do papa João Paulo II se apresentou para mim de maneira peculiarmente contraditória. Pois o curso de seu pontificado praticamente coincidiu com minha trajetória no catolicismo.
Em outubro de 1978, quando Karol Wojtyla foi eleito papa, completava-se 01 ano do meu batismo na Igreja Católica. Em 1991, quando ele veio ao Brasil pela 2ª vez, eu “retornava” à Igreja depois de um quase assumido compromisso com a marginalidade. E agora, em 2005, no momento de sua morte, é que eu me encontro mais convicto do que nunca da minha decisão de não mais me considerar católico (nem para, hipocritamente, escapar de reprimendas dos alienados de plantão) e plenamente escolher o exercício do chamado “livre-arbítrio”... ou será liberdade?
Batismo.
Lá estava o pequeno Luciano (pequenino, no caso), no colo de sua mãe e sob os olhares de seu pai e padrinhos, vestidos com os mais belos chapéus rodados e calças boca-de-sino. De repente me jogam uma água na cabeça e me dizem que meu “pecado original está perdoado”. Mas que pessimismo pela criação esse o da Igreja, acreditar que já se nasce pecador...Um pecado que Adão, o comedor de maçã, cometeu articulando com seu fruto de costela por, simplesmente, desobedecer a Deus. Mas se eles foram punidos porque, pelo “livre-arbítrio”, decidiram que queriam experimentar o “fruto proibido”, onde se encontra legitimidade desse “livre-arbítrio”? Fica claro que o entendimento disto remete a uma corriqueira contradição dos que, para educar “rigidamente” as crianças, impõem regras obscuras e trancadas em termo de deciframento. Então, as “crianças”, sempre espontâneas e á busca de respostas, transgridem as regras. Está explicado porque Adão não foi criado como criança, e sim já na forma de adulto “maduro”. Sendo assim, só acredito em compromisso simbolizado de ritual quando este respeita a mínima maturidade, uma mínima capacidade de se formular perguntas como: “o que significa essa água que você vai jogar na minha cabeça?”. Porque, afinal, ninguém gosta de comer fruta verde!
Crisma.
Um saudoso bispo chamado Dom Décio encobria as espinhas de minha testa com óleo, batia na minha cara e dizia que eu estava “maduro na fé”. E eu, já com 17 anos e os hormônios da libido explodindo no corpo, ainda tinha muitas e muitas perguntas antes de me considerar “maduro”:
- Porque tenho que me sentir culpado por me masturbar ou por olhar para as bundas das meninas?
- Porque o terço é tão monótono?
- Porque Jesus é branco de olhos azuis se não era europeu?
- Porque Jesus não foi político se na bíblia ele ataca ferozmente os políticos da época?
- Porque a Igreja é rica, sendo que Jesus era pobre e os padres fazem voto de pobreza?
- Porque tenho que me confessar e acreditar que estou “limpo” depois de rezar a “penitência” se, todos os dias, sou obrigado a olhar as curvas da garota mais gostosa da classe, que senta logo na minha frente?
- Porque Francisco de Assis que, andava pelado em nome da pobreza, é santo e o Padre Cícero, que profetizava o futuro dos pobres do nordeste brasileiro, não é?
- Porque eu não posso beber o vinho da comunhão, se o próprio Jesus distribuiu a bebida e mandou fazer o mesmo?
- Porque a Igreja Católica é única igreja de Deus se, antes mesmo do judaísmo, já existiam religiões?
- Porque a verdade está somente na bíblia se existem livros mais antigos que se fala de Deus e do pensar a vida?
- Porque a Igreja concentrava tanto poder se Jesus pregava o contrário?
- Porque Jesus é o salvador do mundo, sendo que Buda, Khrisna e Maomé são também considerados como o “salvador” do mundo?
- Porque ninguém me responde essas e outras perguntas?

Doutrina e disciplina.
Ao ver os outros adolescentes como eu não se inquietarem com tais questionamentos, passei a assimilar a premissa doutrinal base do catolicismo: a obediência. O incômodo interno com questões que queriam respostas teria que ser abafado pela obediência no que hoje chamo de “sistema de elo autoritário”, isto é, obedecendo ao imediato superior na igreja, você está obedecendo ao bispo, que por sua vez o arcebispo, seguindo pelo cardeal, pelo núncio apostólico, pelos prefeitos de congregações, chegando ao papa e por fim a Deus. Significa que a relação com Deus não pode ser direta, antes de passar pelo julgamento de pessoas como eu. Isto me incomodava muito porque eu já decifrava as conjunturas hipócritas que se formavam por causa disto. Porque, mesmo havendo conflitos de grupos internos da comunidade (assim como acontece em qualquer lugar) e, por conta disto, se despendia tempo para esse enfrentamento para, ao final, TODOS aceitarem a decisão do padre, mesmo esta sendo anacrônica, pois seguindo a idéia da obediência, quem estava decidindo naquele momento era “Deus”.
Este modo de se relacionar me machucava muito, mas segui realizando o “sacrifício a Deus”, como costumam dizer. Que grande e torpe contradição...
Eu tinha que me acostumar com esta condição: era “bom” para Deus que um leigo, aquele que não tem o conhecimento (seria mais verdadeiro “aquele que NÃO PODE ter o conhecimento"), seja piedoso e aceite o sentimento “normal” de CULPA por querer transcender a “ordem divina”.
Eu, catequista do Crisma.
Minha liderança me levou a ensinar a doutrina para outros jovens que assim como eu, estavam na igreja em busca de respostas e verdades. Então decidi inverter a lógica do ensino, ou seja, ao invés de dizer o que era o "certo", transferia a responsabilidade aos crismandos que, seguindo a natureza humana da evolução, questionavam legitimamente o seu tempo em choque com o tempo da igreja. Nisto, vi que eu não era o único a me sentir incomodado e que alimentar aquela culpa só me trazia sofrimento.
A partir daí seguiu-se, para eu e o restante da coordenação, o boicote político pelos membros eclesiásticos: o isolamento, a ridicularização, o enquadramento e a expulsão. Coisas de Deus? Leonardo Boff que o diga!
Este foi o divisor de águas que determinou a diferenciação entre “livre-arbítrio” e liberdade. Depois segui desvendando o contexto histórico desse conflito, derivando na minha escolha atual.
Em meados do ano 2001 escrevi o texto abaixo:
“Não me considero mais como católico. E estou, a cada dia, mais decepcionado com o catolicismo. Esta decisão não é pragmatista e estanque, mas sim fruto de um complexo processo de transformação interior a qual iniciei dentro da própria Igreja. Eu reconheço que lá eu me encontrei com Deus, mas me encontrei tanto que quis descobrir como funciona a fé e a Igreja enquanto religião. A Igreja não entendeu isto, minha relação com ela não é harmônica por conta da rejeição que temos: a minha de não aceitar dogmatismos e verdades absolutas e a da Igreja de não aceitar uma concepção universalista da fé e da realidade humana. Jesus acreditava nisto, mas seus herdeiros católicos prostituíram, historicamente, sua proposta. Apropriaram-se, por conta do poder, do cristianismo. E por isso, não sabem ainda lidar com a secularização, suas rupturas não lhe serviram de lição. No entanto, não recrimino os católicos, pois cada pessoa tem seu ritmo, suas capacidades, seus sonhos. Somente torço para que elas não se frustrem com a Igreja da mesma forma violenta que me frustrei.
Está sendo difícil assumir esta postura, pois toda ferida tem seu tempo de cura. E esta cura é difícil e muito íntima. Para dar exemplos, duas pessoas para as quais assumi esta postura disseram um “Deus te ajude”, num sentido de penalização por eu ter saído da Igreja. Como se fora dela estarei perdido. O ser humano se perde toda vez que não segue seus sentimentos. Os sentimentos sempre nos conduzem ao amor e o amor é felicidade. Portanto, estou feliz por não ser católico, não é mais uma obrigação, não é mais aquele sofrimento estranho que sentia quando entrava na missa, quando ouvia aquele moralismo hipócrita. Meu sentimento me conduz a observar a Igreja Católica e não para o tal ‘sentir com a Igreja.’
Continuo acreditando em Jesus – ele não fundou a Igreja Católica como religião – sobre um caminho de uma espiritualidade universalista, ecumênica e libertadora. Caminho difícil, mas intenso e de liberdade garantida.”

Contudo, acredito que a Igreja Católica tem um papel fundamental na história da humanidade. Mas, se ainda me havia uma poeira de esperança da Igreja mudar, esta foi soprada pelos novos ventos de Joseph Ratzinger.

Alimentar a culpa nos faz retroceder. Alimentar o amor nos faz amadurecer. Alimentar a liberdade nos faz, simplesmente, ser!

Ser é Lutar!